terça-feira, 22 de março de 2016

domingo, 20 de março de 2016

Agora não vou falar de factos

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Que a terra coma os meus olhos
se eles não observaram com eficácia

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Do quadro da mulher titânica a preto e banco de perna cruzada em cima da caixa de electricidade numa esquina em um qualquer canto de uma determinada Capital.

Da mulher do Teodoro, queimada com pontas de cigarro ou ameaçada com a ponta de um frasco de perfume contra as suas costas que, ela pensara ser, segundo o que dizia o marido, um revólver.

Da mulher de Fernando, depois de Arlindo, posta fora de casa – com os filhos dentro – a porta trancada e barricada por não querer satisfazer desejos que não tinha.

Da mulher na sala de espera do centro de saúde, ligeiramente inflectida em caos que ao ver outra pobre mulher a pedir esmola para dar de comer aos filhos entra em pranto desconsolado.

Ainda dessa mulher. Quando ouviu um homem e uma mulher. A conversarem sentados na relva. Ele dizia, impondo, algo como “vai lá pôr o teu corpo a render. Vai lá para o café”.

Ainda dessa mesma mulher. Enquanto naquela sala de espera. Factos alheios e inesperados (são sempre?!) aumentam-lhe a adrenalina, aumentando desesperadamente o pranto que não era leve.

Ainda dessa tal mulher. Enquanto vê, bem ao longe, como miragem sobre o horizonte outra mulher. Tão parecida consigo. Aliás, igual. Essa outra dá passos bem indefinidos. As suas pernas, o seu aparelho locomotor tão desajustado.

A. Egas